ENTRE IRMÃOS

Eu não tenho irmãos. Talvez por isso, e pelo fato de meus pais terem demorado bastante para me ter, tenho um jeito meio “egoísta” ou individualista de ser. Nunca precisei dividir o brinquedo, esperar a minha hora de tomar banho ou o dia de andar no banco da frente. A vida acaba ensinando muitas coisas para a gente, mas quando se tem um irmão as coisas são diferentes.
Sempre quis dar um irmão para o Arthur, mas sempre me questionei se seria capaz de ser mãe de duas crianças. Como se educa duas pessoas tão parecidas, mas tão diferentes? Como ensinar algo que não vivi? Talvez esse seja um dos meus grandes desafios na maternidade.
Até pouco tempo atrás, minha preocupação girava em torno de fazer Arthur entender que ele é tão importante quanto o irmão que acabara de chegar, já que as atenções giravam em torno daquele mini ser que só chorava e queria o meu colo.  Senti por muitas vezes, aquela culpa por ter decidido ter mais um filho. Arthur estava tão bem como filho único, sua rotina se ajeitando, tudo voltado para ele e do nada outra criança entraria em cena.
Hoje Arthur e Matheus já se relacionam de uma forma bem diferente. Os dois já expressam suas opiniões (muitas vezes distintas, muitas vezes parecidas) e já disputam tudo: atenção, brinquedo, comida, lugar...
Arthur é um menino muito amoroso mas com a paciência curta. Se estressa quando o irmão pega algo dele e já quer logo resolver a situação (dando um chega pra lá no irmão). Matheus é ligado em tudo o que o irmão faz e quer fazer igual. Tem ciúmes de mim e a personalidade bem forte, daquelas de se atirar o chão para chamar atenção.
Diariamente vivo a angústia de tentar mostrar para eles que devem conviver em harmonia e resolver seus conflitos da forma mais tranquila possível, mas nem sempre eu consigo, infelizmente.
Toda vez que paro para pensar, me vem um frio na barriga por saber que devo entender, mediar e participar dessa relação da melhor forma. Meu maior receio é ser tendenciosa para algum dos filhos, acabar privilegiando um, mesmo que sem perceber. E como perceber? Como saber se estou fazendo um bom trabalho?
Quero que meus filhos sejam os melhores amigos. Vejo por aí tantas histórias de irmãos que não se gostam, não se relacionam, mal se veem ou se falam! Quero que meus filhos saibam que tem um ao outro e na minha falta, ou do pai, eles podem contar um com o outro, nunca estarão sozinhos.
Peço a Deus sabedoria e discernimento para encarar os desafios dessa louca maternidade e assim vou levando, com acertos e erros, mas com amor, muito amor!

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