EU E A AMAMENTAÇÃO

Amamentar sempre foi um grande desafio para mim. Arthur demorou a pegar o peito mesmo com o leite descendo rápido. Tenho em mim que na maternidade deram complemento para ele pois nasceu 12:40 e pegou meu peito depois da meia noite, ou seja, mais de doze horas depois.

Em casa, a história continuou. O peito rachou, eu me senti culpada por não querer amamentar devido a dor e ele queria ficar grudado sugando até não poder mais.

Eu era neurótica, vivia com uma folha anotando hora e minutos das mamadas e não permitia que ele mamasse fora do horário e mais uma vez me sentia culpada por não dar o peito.
Aos poucos a rotina foi se acertando e Arthur mamou até os 10 meses. A partir o 6º mês comecei a oferecer outros alimentos e também o leite artificial pois voltei a trabalhar e foi necessário. A quantidade do meu leite foi diminuindo e ele só mamava uma vez ao dia.
Até que em uma manhã ele pediu a mamadeira e recusou o peito. Havia terminado a nossa aventura juntos! Uma nova fase havia começado.
A culpa mais uma vez me inundou. Me sentia feliz por ter conseguido, mas triste pois queria ter persistido até pelo menos um ano de idade. Chorei, mas percebi que havia sido a escolha dele, guiada pela nossa rotina.

Quando Matheus chegou decidi que não seria aquela mãe neurótica, que ele mamaria quando e quanto quisesse. A tal da livre demanda foi a minha escolha. Uma escolha complexa confesso. Talvez a melhor, ou não...
Cada família sabe da sua necessidade. Eu naquele momento me vi entregue a uma maternidade mais tranquila e natural, sem regras e teorias que a guiassem. Meu coração era o comandante e eu faria o que ele mandasse.
Foi duro! Peito rachou novamente, mas eu prometi não desistir.
Pediatra disse que precisava de complemento urgente, com dois meses, pois Matheus não ganhava peso. Como assim? Ele mama tanto, eu estou aqui, para ele, por ele e não consigo supri-lo? Foi terrível! Me senti incapaz, frustrada. Por mais que eu soubesse que não seria mais ou menos mãe independente da situação, aquilo me abalou.

Matheus se recusou a tomar complemento. Me senti feliz e triste ao mesmo tempo. Eu iria persistir, mas sentia que meu leite estava diminuindo. Mais uma vez decidi ouvir o meu coração e ele me dizia para não desistir. Na verdade desisti do complemento. E venci! Vencemos! Matheus voltou a engordar e meu leite sempre foi o suficiente para ele.

Perto de completar um ano comecei a pensar no desmame. Eu já estava trabalhando novamente, ele já comia outros alimentos e tomava a mamadeira quando era necessário.

Meu peito passou assumir a função principal de acalento, de brinquedo... Isso começou a me incomodar bastante. Em qualquer lugar ele queria levantar minha blusa e ficar “chupetando” meu peito. Ou então ficar apenas pegando, como se fosse um objeto e ficar acariciando-o.

Minhas noites também passaram a ser mais difíceis pois para dormir ele precisava do peito. Ele não pegou a chupeta, então o peito fazia o papel de pacificador (dele...)

Tentei o desmame, frustrado.

Um ano e meio já se foi e estamos na mesma situação. Ele ainda mama, sem horários certos. Ele chupeta o peito para dormir, ele fica pegando no peito para se acalmar.

Eu já me sinto esgotada pois percebo que ele não consegue se desvincular de mim e para coisas que poderia fazer com certa independência (como dormir), ainda não o faz.

Me sinto realizada. Por conseguir suprir suas necessidades e estar ali para os momentos em que ele precisa se acalmar. Por saber que eu sou seu porto seguro.

Me sinto frustrada por saber que hoje ele depende tanto de mim que preciso evitar certas coisas (como sair até mais tarde) pois ele não ficará com mais ninguém (nem com o pai).

Meus peitos doem, minha consciência também.

Mas quando penso em acabar com tudo isso, me sinto culpada e sem saídas, afinal, fui eu quem escolheu ser assim não foi?
 

Um comentário:

  1. Olá, é difícil ser mãe! Se não amammentamis nos sentimos culpadas, se amammentamis até os sonhadis seis meses ou próximo disso percebemos que a livre demanda, i não dar bico, nem mamadeira até aí dificultam i processo de aceitação de outros alimentos e o pegar a mamadeira! E a volta ao trabalho se aproximando, o bebê só quer peito, a ansiedade aumentando! Fruta, suco, almoço, janta, vitaminas, diferentes bicos e mamadeiras, assim como fórmulas para testar. Ufa! Estressante para nós é para os bebês! Meu Bebê está com 6 meses e 13 dias. Graças a Deus almoça bem, mas por enquanto a real conquista é esta apenas! Quero muito que entre na creche daqui a 17 dias pelo menos comendo alguma fruta e um suco. Sei que sofreremos muito se ele ficar com fome lá! Fui na nutricionista hoje pedir umas dicas, viu introduzir a janta e continuar pelejando com frutas e suco! A mamadeira viu deixar para quando ele consolidar a alimentação, é muita mudança de uma vez só! Achei que com 6 meses de licença e 1 de férias tudo se reailveria, mas agora conto os dias e às vezes me anguaruo em ver o tempo passar e perceber que o tempo subjetivo do meu bebê é diferente, mas lento... Deus nos ajude! A luta continua! Sempre com muito amor e carinho!

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