A VIDA SEXUAL APÓS A MATERNIDADE - ENTREVISTA

Olá pessoal! Tudo bem?
Hoje quero tratar com vocês um assunto "tabu", pois eu tenho certeza que muitas mulheres já passaram (ou passam) por esse momento, mas ele é pouco discutido: a sexualidade após a chegada dos filhos.
imagem retirada da internet
Sim, para muitos casais, a maternidade não altera a rotina "homem e mulher", mas para a grande maioria, a mudança é tremenda quando não radical, afetando diretamente a intimidade dentro de casa.

Nós mulheres, passamos por momentos delicados após o parto (tanto físicos quanto emocionais), e é preciso tempo e (muito) esforço para que tudo volte ao normal.

Eu mesma já vivi isso duas vezes e não foi nada fácil. Além do aspecto físico de um pós parto, eu e o marido passamos por fases muito delicadas e tensas emocionalmente. Precisei resgatar lá no fundo o meu "eu mulher" e perceber que do jeito que estava não ia dar certo. Não foi fácil, mas o tempo tem ajudado bastante nesse processo.

Acredito que isso seja a realidade de muitas mulheres, por isso trouxe hoje uma super entrevista aqui no blog que eu acredito fará muito bem para todas nós!

A entrevistada é a Gina Strozzi, minha querida professora da faculdade, profissional que eu tanto admiro tanto pelo caráter e personalidade, quanto pela sabedoria!
A Gina é paulistana mas mora em Vitória, é casada e mãe de 2 filhos. Psicóloga, graduada também em Teologia e Pedagogia, tem  pós Doutorado pela PUC-SP e Especialização em Sexualidade Humana e NeuroPsicologia na Faculdade de Medicina da USP. Foi professora na Universidade Mackenzie em SP e palestrante em inúmeras experiências coorporativas. Atualmente atende em seu consultório particular.

De Menina a Mãe: As queixas sobre a vida sexual após o nascimento dos filhos é algo recorrente?
Gina: Sim, muito! A espera de um filho é algo muito importante, cria muita expectativa, principalmente na vida da mulher que lida com o aspecto biológico e totalmente psicológico, que é o mundo do preenchimento, da pertença, do guardar o filho e de fazer ele sobreviver, de mantê-lo vivo, ele é calcado no hormônio. A mulher está transbordando de um hormônio que a deixa alerta para manter esse bebê. A prolactina (hormônio responsável pela liberação do leite) faz o rebaixamento da testosterona (responsável pela libido, pela sedução) por uma lógica biológica, para que não haja uma nova reprodução, uma nova gravidez.
Mas sabemos que a libido é muito relacional e emocional, às vezes muito mais do que física. Mulheres que tiveram sobrepeso na gravidez, têm um impacto na autoestima. Será que após a quarentena, mesmo havendo uma preparação do seu organismo, ela está preparada emocionalmente para retomar sua vida sexual? São dois pólos que devem ser trabalhados. 
As mulheres se preocupam com as necessidades dos maridos, mas o filho está supremacia! A atividade sexual, o marido fica em segundo plano. O marido deve ter maturidade e companheirismo nesse momento.
É oneroso o trabalho com bebês, por isso apelamos para uma responsabilidade dos parceiros.

De Menina a Mãe: Porque as mulheres mudam tanto após a maternidade quando o assunto é sexo?
Gina: Tem relação com a questão hormonal, mas a libido da mulher está despareada com a masculina, juntamente com o aspecto psicológico. O sexo ainda é ligado à emoção, mas o momento a emoção do momento é para o filho.
Mas a mulher precisa, com o tempo, se desprender do filho e retomar a relação do marido, pois a relação pode ser fragilizada.
De Menina a Mãe: Quais são as causas da falta de libido? É algo físico, psicológico ou as duas coisas?
Gina: É multifatorial! Existe uma causa prevalente que pode ser primária que englobam aspectos clínicos e físicos, ou ela pode ser secundária.
Também existe a depressão pós parto que pode não se relacionar diretamente com o bebê mas também com o parceiro. Há muitos relatos de homens que descrevem suas mulheres como hostis e "esquisitas", alheias ao ambiente, sem força a vitalidade nesse momento.
São fatores que contribuem para uma libido rebaixada. Eu atendo muitos casais que entraram em crise profunda após o nascimento dos filhos. Muitos homens procuraram relacionamentos extra conjugais, pois a mulher se ausentou dele. 
A mulher precisa entender que necessita se fortalecer, se desprender da criança, para retomar suas atividades com o marido, sem pressão, sem cobranças, hora marcada!
Muitas mulheres se queixam que tinham muita libido antes da gravidez, justamente por querer um filho. Tinham relações sexuais frequentes e a partir do momento que se tornam mães, sentem-se com o "papel cumprido", deixando o marido de lado. Em contra partida, o homem fica em uma posição de despertencimento e cria uma certa agressividade conta a esposa.
Mágoas e feridas abertas no relacionamento aparecem à tona no pós parto, com a suscetibilidade da mulher.
A sexualidade do casal é o espelho dele! É preciso refletir sobre isso!

De Menina a Mãe: Muitos maridos não entendem esse "momento" pelo qual muitas mulheres passam não é verdade? Existe algum tratamento?
Gina: Os homens geralmente têm uma incompreensão sobre esse momento. Eles exigem a mulher de volta. Retomar o marido, é cuidar da manutenção da relação.
Hoje, com a discussão de gênero, as mulheres pensam "pra que retomar a esse homem? Eu tenho meu filho, ele não vai me magoar, me trair, não vai me decepcionar", projetando sobre o filho toda a expectativa, amor e afeto, tornando a relação com o marido cada vez mais distante.
A ideia é de que se houver necessidade de ajuda, de organização de afetos, administrar primeiro o afeto para nós mesmas, para o filho e para o marido. É preciso integrar o marido na vida dela e do filho. Existe um laço perpétuo entre mãe e filho e quando a mulher rejeita o homem, ela afasta o homem desse vínculo, por isso a terapia é importante, pois ela auxilia a organizar e alivias esses conflitos.
Além da psicoterapia, existem as terapias hormonais. Procurar um ginecologista ou um endocrinologias e expor as queixas, mas basicamente, a dificuldade da libido está relacionada com a disposição afetiva, eu tenho uma disponibilidade afetiva positiva ou negativa com meu par?

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