ADAPTAÇÃO ESCOLAR - QUANDO HÁ PROBLEMAS...

Olá pessoal!

Quem me acompanha deve lembrar de vários posts que eu já fiz sobre adaptação escolar.
Esse é um tema que eu gosto muito de falar mas não gosto de viver (rsrs). Sou uma pessoa muito ansiosa e fico com receio de passar isso para os meninos e como fui aquela criança que "sofria" para ir à escola, não quero que meus meninos se sintam assim.

Quero compartilhar o momento que estamos vivendo pois às vezes muitas famílias passam por isso e não entendem o porquê, não sabem o que fazer, então vem cá, dá a mão pra mim e veja se o que eu vou te contar pode te ajudar!
Arthur vai para a escola desde os dois anos e quatro meses, idade que consideramos ideal e necessária, dentro da nossa rotina como família. Desde o começo tudo foi muito tranquilo, para a minha surpresa! Ele se adaptou muito bem e quem mais sofreu fui eu.

Logo depois Matheus chegou e eu achei que Arthur teria alguma reação à esse momento, mas não, tudo continuou muito tranquilo.

Aí a gente pensa:

- Bom, batalha vencida, de agora em diante é só curtir!

Mas não!

A adaptação escolar é um processo constante e dependendo da criança ele dura mais, com mais frequência ou não.
Tem criança que toda segunda-feira precisa de uma readaptação ou na volta de feriados, férias...
Tem criança que não apresenta problema nenhum! Não interessa o tempo que passou longe da escola ou a circunstância, vai sem choro, feliz, super tranquila!

Por aqui, sinto que tivemos uma regressão e vou contar como foi.

Depois do primeiro ano, Arthur foi obrigado a mudar de escola e ninguém esperava por isso. Sua escola fechou e não haviam mais opções em nosso bairro, da mesma estrutura e qualidade.

Eu já contei em vídeo um pouco da nossa saga na procura da nova escola, vou resumir: depois de muita pesquisa encontramos uma em que acreditamos, confiamos e se encaixa em nossa rotina.

Porém, desde que Arthur começou lá, senti uma regressão. Ele passou a não querer mais e a falar pouco do seu dia lá.
Mas isso foi passando, aos poucos ele criou segurança e tudo estava resolvido...

Ou não...

Era a vez de Matheus entrar na escola. Ele iniciou com um ano e nove meses e foi um processo sofrido, um desapego que eu e ele tivemos que aprender a fazer. Mas passou. Matheus hoje é super adaptado e não nos deu mais trabalho.
 

Quando 2017 chegou, começamos a viver um momento muito delicado pois Arthur passou a apresentar um comportamento muito avesso à escola. Ele se recusava, chorava, chegando a entrar em desespero quando sabia que teria que ir para a escola. Ele chegou a acordar em um final de semana já perguntando "hoje é dia de escola??" apreensivo pela resposta.

Até que eu resolvi marcar uma reunião com a coordenação e eles responderam que também queriam conversar a respeito.

Na escola, Arthur se recusava a participar das atividades, chorava muito (de gritar) e todos os dias a coordenadora precisava intervir. Isso começou a afetar o Matheus também pois como eles estudam em período semi-integral, passam algumas horas juntos e esse era o momento em que Arthur chorava e Matheus "entrava na onda".
Eu fiquei muito preocupada. Pensei em mil e uma suposições, hipóteses e possibilidades.

Será que alguém maltratou ele?
Será que ele fez algo e se sente culpado?
Será que deixo ele muito tempo na escola?
Será que ele não é feliz lá?

Arthur me suplicava para que eu o deixasse só no tempo regular e meu coração despedaçava em pensar que eu precisava deixá-lo mais tempo por conta do meu trabalho e que eu havia alterado nossos horários justamente para que ele tivesse mais atividades na escola, um período mais produtivo lá.

No momento do desespero eu pensei em largar emprego, mudar ele de escola, sei lá, me vi fazendo de tudo para que aquilo acabasse.

Depois da conversa com a escola, me senti muito melhor e muitas coisas começaram a se esclarecer. O que mais me alegrou foi ver que estavam "de olho nele", a todo tempo estavam também tentando entender o que estava acontecendo e procuravam soluções.

Também comecei a enxergar quantas coisas haviam acontecido na nossa vida e que interferiram diretamente no comportamento do Arthur.
Passei a entender melhor como ele pensa, reage e vive. Como sua personalidade está se formando e ele agora tem suas especificidades e precisamos aprender a ajudá-lo.

Arthur guarda muito as coisas e explode em momentos específicos como em casa depois da aula, com o irmão em uma disputa, comigo com suas respostas mal criadas...

Arthur não é de contar as coisas, não gosta de ficar falando e quando pergunto, sou "muito chata!!"
Arthur viu a mãe quase partir dessa pra melhor e não disse nada.
Arthur ficou doente junto comigo e não disse nada.
Nos separamos forçadamente e ele não disse nada.
Seu pai, grande companheiro começou em uma rotina de trabalho onde eles mal se viam e Arthur não disse nada.
Arthur me viu passar por uma segunda cirurgia e não disse nada.
Arthur foi operado e não disse nada,

Ele não disse...
Ele guardou muita coisa e começou a despejar tudo de uma vez quando se viu inseguro.

Ele voltou a usar a chupeta quase que direto, voltou com a mamadeira, voltou a fazer xixi na cama...
Quando parei para analisar tudo isso, vi quantas coisas ele tinha passado e a maneira que encontrou de se expressar.

Às vezes a gente fica tão preocupada em resolver o conflito que esta acontecendo que não pensamos em todo o contexto dele.

Papai voltou a ficar mais com a gente.
A professora do integral mudou.
Passei a entendê-lo mais.
Comecei a valorizar mais suas boas atitudes.
Estamos mostrando a ele como é bom crescer e passar pelas fases da vida.
Estamos buscando maneiras de fazer ele expressar suas vontades e opiniões.
A escola se colocou como nossa parceira nesse momento.

E tudo vai se ajeitando...

Arthur parou como xixi.
Já não reclama para ir à escola.
Fala muito na nova professora.
Conta o que fez em seu dia.
Tem "aturado" mais as artes do irmão.

Mas ainda enfrentamos momentos de puro estresse!
E estamos aprendendo a lidar com eles!

Tudo é processo. Tudo pode ir e voltar.
O importante é que estejamos atentos e abertos a entender nossos filhos pois eles são pessoas diferentes de nós, que pensam de maneira única!
Precisamos ajudá-los e para isso pensar só no momento do estresse não funciona!
É preciso entender o contexto, os porquês, os motivos e a partir daí encaixar estratégias para, da melhor maneira possível, mudar, adaptar o que for necessário.


Não é fácil... É processo!
Mas dá certo!

Fiquem com Deus!

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